Campanha de Combate à LGBTfobia utiliza personagens reais

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O mês de maio foi escolhido pelo Governo do Estado para alavancar o Combate à LGBTFobia. A campanha, lançado no início do mês, está chamando atenção para o número de LGBTs mortos nos últimos anos no Brasil. Para se ter ideia, dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) mostram que 2016 foi o mais violento para esse grupo. Neste ano, foram registradas 343 mortes. Ou seja, a cada 25 horas um LGBT foi assassinado, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais. O foco é justamente sensibilizar as pessoas sobre essa situação, a partir do questionamento: “Diversidade. Eu respeito. E você?”.

A campanha atua ainda para facilitar o acesso do público LGBT a toda rede de atendimentos disponibilizada no estado, composta por ações que colaboram para a melhoria das condições de moradia, liberam crédito para atividades de empreendedorismo e promovem a inclusão social, como a carteira de identidade com o nome social para travestis e trans.

A ação é a terceira promovida este ano, com temas como “Combate à violência contra a mulher” e “Incentivo à Leitura”, envolvendo de forma direta e indireta, toda a estrutura do Estado de maneira integrada, e nesta edição, sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça de Direitos Humanos (Sejudh), da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), da Fundação Pro Paz e da Cultura Rede de Comunicação.

A publicitária Chris Portilho atuou na campanha pela DC3 Marketing e Comunicação e explica que, o embrião para a execução desse trabalho foi justamente os dados alarmantes. “Partimos das tristes e vergonhosas estatísticas brasileiras de violência contra essa parcela da população. Com isso, sentimos a necessidade de chamar a atenção para a problemática em sua gênese – mas que resulta lá na frente na violência propriamente dita. Ao mesmo tempo, procuramos mostrar os avanços das políticas públicas do Pará em relação aos direitos já conquistados. Assim, a campanha é um grande convite para debatermos, conversarmos, ampliarmos o olhar e a consciência a respeito de um assunto que ainda é visto como tabu, mas que é real”, diz.

A partir daí, teve início as etapas do processo de produção. “Tivemos algumas reuniões de briefing para criação do conceito da campanha e depois de chegarmos ao mote, apresentamos a campanha para a Secom e Sejudh. Após aprovação, realizamos reuniões de pré-produção para, em seguida, partirmos para a produção de todas as peças”, detalha.

E para receber esse recado, a produção da campanha optou por abranger toda a população. “Ela é destinada para LGBTs, parentes, amigos, conhecidos, para aquelas pessoas que respeitam e também para aquelas que não respeitam, para quem tem informação sobre o assunto e para quem não tem. Enfim, a campanha é destinada a toda a sociedade para parar e pensar, se colocar no lugar de quem sofre no dia a dia a violência explícita – moral ou física – e a velada, que é tão cruel quanto”, explica a publicitária.

O resultado pode ser vistos no Vt de 30″, spot de rádio, peças gráficas: cartaz, folder, banner, cartilha, além de peças produzidas exclusivamente para a internet, como wall paper, banner para facebook, instagram e banners para sites do governo. “Os vídeo para TV e Internet são as peças que geralmente demandam mais atenção da equipe e tempo, pois contamos com vários detalhes e é necessário um maior cuidado na produção”, afirma a publicitária.

Ela destaca ainda que, diferentemente, do que costuma ocorrer, a campanha trabalhou com personagens verdadeiros, ou seja, pessoas LGBTs e não com atores ou modelos. “Isso fez toda a diferença, porque deu veracidade as peça,  ao mesmo tempo que a comunidade LGBT se sentiu representada”, avalia.

Esse é o caso de Rayanne Cristina, uma mulher trans, que figura entre os rostos apresentados nesse trabalho. “Achei essa campanha maravilhosa, especialmente por essa visibilidade que está nos dando, porque realmente para o amor não tem que haver barreiras, porque ele é essencial”, opina Rayanne Cristina.

A cantora e compositora Lia Sophia foi convidada para ser a voz da campanha e apresentou um pocket show no dia do lançamento do evento. Para ela, iniciativas como essa são fundamentais para educar e desmistificar o tema. “Em tempos de desrespeito às diferenças, essa campanha veio no momento certo. Precisamos falar sobre isso. É uma questão extremamente importante. São pessoas, são seres humanos que estão sendo mortos, por uma coisa que não tem nada haver com o outro, só tem haver com ele mesmo, com a maneira como ele vive, como ele se sente feliz. O respeito realmente não tem gênero. O amor não tem gênero. As pessoas se apaixonam por outras pessoas e não pelo gênero e isso preciso ser compreendido pela sociedade, precisa ser respeitado”, diz.