Oficina orienta comunicadores sobre conceitos corretos ao retratar população LGBTI+

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Defensoria Pública do Pará, Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Justiça (Sejudh), Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) e o Grupo Homossexual do Pará (GHP) realizaram, nesta terça-feira (3), a oficina “Diversidade e Mídia” para profissionais e estudantes de Comunicação”. O evento, que foi gratuito, teve como principal objetivo, contribuir para a diminuição de preconceitos e estigmas por quais passam os LGBTI+, colaborando para um melhor entendimento de termos e conceitos corretos que devem ser utilizados ao falar dessa população.

A oficina contou com a participação de Symmy Larrat, paraense e liderança nacional do movimento LGBTI+ e que foi a primeira travesti a ocupar a função de coordenadora geral de Promoção dos Direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Para Larrat, os meios de comunicação, quando bem utilizados, são um importante canal para auxiliar no enfrentamento da “narrativa de ódio” que coloca a existência LGBTI+ como pecado ou vergonha, com discursos que aumentam a exclusão desta população. “A mídia se torna, por vezes, um espaço de reprodução e violação dos direitos quando reforça estereótipos e a violência”, destaca Larrat.

Ela acredita ainda que um dos caminhos para a mudança é ouvir cada vez mais a população LGBTI+. “Temos excelentes profissionais em todas as áreas do conhecimento e podemos falar sobre qualquer área do conhecimento”, ressalta.

O secretário de estado de comunicação, Daniel Nardin, que participou, junto com a presidente da Funtelpa, Adelaide Oliveira, de uma mesa durante a oficina, destacou a importância do debate e que ele possa alcançar cada vez mais profissionais de comunicação, principalmente os que atuam nas redações. “As vezes por falta de tempo, ou mesmo de interesse, esses profissionais acabam ficando de fora da discussão. Por isso, temos que sempre encontrar formas de conversar com os jornalistas e levar essa discussão para as faculdades de comunicação, assim atingirmos um público que estará nos veículos de comunicação daqui mais adiante”, destacou Nardin.

Para o gerente de Livre Orientação Sexual da Sejudh, Beto Paes, a oficina leva aos profissionais de comunicação social a desconstrução de estigmas e preconceitos que muitas vezes estão presentes na abordagem que a mídia dá a realidade LGBTI+. “O respeito ao nome social, o não uso de termos pejorativos e a consciência de que a mídia tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e mais fraterna, deve ser uma constante aos profissionais da comunicação”, comenta.

Foi por esta questão que o jornalista Emerson Carvalho participou da oficina. Ele queria buscar, por meio da experiência dos profissionais que estavam participando, formas de abordar essa desconstrução de gênero que atinge a população LGBTI+. “A oficina, os guias e o manual ajudam os profissionais a não errar e a não propagar preconceitos, as vezes mesmo sem querer”, falou Emerson.

Manual – Na ocasião foi lançado o Manual de Comunicação LGBT+ que foi inspirado em manuais de organizações como Somos Gay (Paraguai), Colômbia Diversa (Colômbia), GLAAD (Estados Unidos) e ABGLT (Brasil). O manual é o resultado de um trabalho conjunto, com mais de 300 sugestões e colaborações de especialistas, militantes, ativistas, associados das organizações envolvidas, autoridades públicas, professores, estudantes e profissionais da comunicação. O material traça também um panorama sobre avanços recentes no reconhecimento e afirmação de direitos LGBTs no Brasil e no mundo.

Por Márcio Flexa