Campanha quer resgatar identidade das mulheres no Afeganistão

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A campanha #WhereisMyName ganhou a internet nos últimos meses por tentar reverter a pressão que mulheres sofrem em países islâmicos. A iniciativa levanta a discussão sobre a utilização dos nomes registrados nas certidões de nascimento, que, regularmente não são pronunciados nestes países. Da certidão de nascimento até o túmulo, em determinados casos, o nome de uma mulher não é revelado a ninguém que não faça parte de seu círculo social familiar.

A campanha foi iniciada por jovens do país com o objetivo de resgatar a identidade das mulheres afegãs, primeiramente no Twitter, onde já são mais de 1,5 milhão de menções à hashtag #WhereisMyName.

O que para nós do ocidente é normal, no Afeganistão pode ser considerado uma ofensa. Um homem, por exemplo, ao se referir a esposa não pronuncia o seu nome. Ao citá-la ele utiliza expressões como “mãe das crianças”, e, em regiões do interior, termos pejorativos são usados para menciona-las, como “cabrita”.

O esforço já conseguiu o apoio popular, inclusive de parlamentares islâmicos, e da imprensa internacional, com ampla discussão levantada pelo The New York Times.

No entanto, a caminhada ainda é longa, pois setores conservadores afegãos contestam a publicidade ao redor do #WhereisMyName por considerarem, ironicamente, que a campanha incentiva o conflito entre homens e mulheres.

Mudar uma cultura enraizada durante séculos não é tão simples. Mas a internet também já demonstrou ser uma grande aliada dos ativistas. Vimos isso em revoluções como a Primavera Árabe entre outras.