Facom completa 40 anos

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A faculdade de comunicação (Facom) da Universidade Federal do Pará (UFPA) completa 40 anos e para comemorar, a coordenação do curso e os alunos organizaram um evento de 22 a 24 de fevereiro com diversos convidados, ex-alunos, para debater temas importantes no cenário da comunicação e também na formação dos novos acadêmicos do curso. O governo do Estado apoia o evento institucionalmente e reconhece a grande contribuição da universidade no cenário cultural, histórico, acadêmico e na formação de profissionais que hoje fazem parte do mercado de comunicação, sejam em instituições públicas ou privadas.

Um pouco da história desta influência da “federal”, como é apelidada por seus alunos, pode ser encontrada na própria Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), que reúne gerações diferentes desde 1981 até turmas do final da primeira década de 2000.

No início dos anos 2000, por exemplo, a geração da época estava em plena transição dos meios tradicionais do jornalismo para o digital, com grande pressão sobre a necessidade de trabalhar a questão técnica das novas tecnologias de comunicação. E neste cenário foi fundamental o investimento da universidade na formação crítica e teórica dos alunos. Quem comenta sobre isso é um ex-aluno do curso de jornalismo que hoje é secretário de comunicação do Estado, Daniel Nardin, aluno da turma de 2003, formado em 2007.

“Uma das principais lições que temos da Facom é que nós não devemos nos preocupar só com a técnica. Ela é importante, mas a formação cultural e o senso crítico para ler o contexto na qual notícia está inserida. A ética e a responsabilidade no trato da informação. Isso vem de várias gerações do curso. Apesar das dificuldades em algumas questões tecnológicas, nós tivemos uma grande compensação na qualidade do ensino devido ao esforço dos professores”, relata Daniel.

E este foco na formação crítica dos alunos realmente é uma herança de longa data. Formado pela turma de 1981, o jornalista Samuel Mota, atualmente secretário adjunto da Secretaria de Comunicação veio de uma época em que a comunicação off-line reinava. Jornais impressos eram muito mais fortes e se debatia o alcance e influência da TV e rádios. O cenário político fervia com os reflexos do regime militar e as censuras impostas aos movimentos estudantis, que frequentemente eram desarticulados pelos militares.

“Eu me interessei pela comunicação desde a minha formação na escola pública. Ao chegar na faculdade o impacto foi grande, pois era um curso muito intenso com vários módulos de professores de outras áreas como economia e direito. A gente nem conseguia trabalhar devido a carga horária. Ao mesmo tempo, com a herança do regime, esse era um modo de nos manter sempre muito ocupados para evitar que os estudantes interagissem. Mas é claro que nós éramos muito engajados nas causas sociais e participamos de diversos movimento como a luta da meia passagem e pelas eleições diretas”, explica Samuel.

Para Samuel, o grande aprendizado que ele traz até hoje é a vivência de uma época importante na formação política do Estado. “A nossa formação foi muito acadêmica e política. Era um curso bem interativo e nessa época a gente aprendeu que o jornalismo transcende a questão social. Vimos que era necessário trabalhar a política social junto com a comunicação”, detalha.

Nos anos 90, aos 17 anos, a menina Syanne Neno já sabia o que queria da vida ser jornalista esportiva. Ela entrou na UFPA em 1990 e o seu desejo se tornou realidade antes mesmo da formação, o que causou problemas durante a formação que ocorreu apenas em 1999. Hoje, mais experiente, ela aconselha as novas gerações a valorizar mais a formação acadêmica.

“Quando a gente é jovem toma várias decisões por impulso. Eu sempre quis ser jornalista esportiva e quando comecei a trabalhar eu deixei a faculdade de lado, por me empolgar com a parte prática. Isso foi um erro, pois o conhecimento acadêmico é essencial para a nossa formação e hoje eu estou correndo atrás disso. A faculdade é o melhor período para você se aprofundar nos estudos além da questão técnica e a UFPA é um dos melhores lugares para fazer isso”, diz a experiente jornalista, que hoje é repórter da Agência Pará e se prepara para fazer a seleção de mestrado da UFPA.

Da mesma geração, o jornalista Márcio Flexa, da turma de 1992, veio de uma família de jornalistas e escolheu o curso para realizar o sonho de trabalhar com comunicação. Ele se formou em 1998 e desde então, além de trabalhar em diversos meios, ela já foi professor de faculdades particulares e destaca a dedicação de alunos e professores na formação do curso de comunicação da UFPA.

“O aluno da federal tem essa característica de batalhar muito para estar ali. Ele valoriza aquela vaga e é recompensado pela qualidade do que é ensinado em sala de aula. O tipo de grade curricular da UFPA é diferenciado, muito mais preocupado com as questões sociais, uma teoria crítica, enquanto o cenário das faculdades privadas se aproxima de um curso técnico voltado para mercado. A preocupação da Facom sempre foi maior com o cientista social, o que gera grandes profissionais que ajudaram o Estado de alguma forma em suas carreiras ou em movimento sociais”, explica Flexa, que atualmente é assessor de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Nas gerações mais recentes, no final da primeira década de 2000, os novos profissionais da comunicação se formaram em meio a grande evolução das mídias sociais, que tomam cada vez mais espaço no mercado e nas estratégias institucionais de empresas e órgãos públicos. Novos parâmetros e propostas surgem toda semana e cada vez mais é cobrada do profissional de comunicação a multidisciplinaridade e a capacidade de lidar com o conceito, conteúdo e a tecnologia ao mesmo tempo.

Petterson Farias, publicitário da turma de 2006 e Ezequias Nascimento, publicitário da turma de 2008, são exemplos desta geração.  Petterson, em suas próprias palavras, “era apenas uma garoto vindo do interior” quando passou no vestibular mais concorrido do Estado e entrou no curso de publicidade para descobrir o seu caminho na área da comunicação. Ezequias não veio do interior, mas também gostava da área de edição de imagens e viu no curso uma porta para começar a carreira.

A história dos dois se assemelha não só por terem feito a mesma faculdade em períodos semelhantes, mas pelo engajamento nas atividades extracurriculares, que ajudaram a definir suas próprias carreiras.

“Eu não me dediquei muito ao curso e isso é algo que me arrependo muito. Quando me formei eu não sabia o que faria da minha vida profissional e foi quando comecei a trabalhar com a ‘Muvuca na Cumbuca’, evento criado pelos alunos, que diversas oportunidades surgiram. Lá, descobri que eu gostava de trabalhar com eventos e tinha outras habilidades. Fui me aproximando cada vez mais das mídias sociais e já trabalho há cinco anos nesta área, aqui no governo”, diz Petterson, que trabalha na Diretoria de Comunicação Institucional (DCI-Secom), e faz parte do time que gerencia as páginas do governo do Estado nas mídias sociais.

Ao lado de Petterson, Ezequias, que hoje é conhecido nos meios digitais como Zek Nascimento também passou por um caminho semelhante e hoje dividem o mesmo ambiente de trabalho. “Eu trabalhei desde cedo e fiz um pouco de tudo durante a faculdade, mas foi participando de atividades extracurriculares como a Muvuca que eu me aproximei da área que hoje atuo”, diz Zek, que trabalha no mesmo setor de Petterson.

Estes foram apenas alguns exemplos entre as dezenas de profissionais qualificados que existem hoje, atuando em diversos setores do governo do Estado, e que tiveram a sua formação pela faculdade de comunicação da UFPA. Dentre eles está também o autor deste texto, Diego Andrade, jornalista da turma de 2003, formado em 2007 e que atualmente é repórter da Agência Pará.