Em café da manhã com a Imprensa, Jatene fala sobre crise e equilíbrio das contas

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Na última segunda-feira (5), no Palácio do Governo, o governador Simão Jatene recebeu a Imprensa para um café da manhã. Durante a ocasião, ele falou sobre a crise econômica vivida pelo país, os projetos estaduais e as ações governamentais para 2017. O governador apresentou ainda os principais números da economia nacional e respondeu às perguntas dos convidados.

Jatene fez a relação entre o Produto Interno Bruto (PIB) per capta e as despesas governamentais para demonstrar o cenário econômico atual do país e, consequentemente, do Pará, defendendo a importância da promoção de debates sobre a desigualdade regional entre os entes federativos. “O Brasil gastou mais do que arrecadou. Precisou pegar dinheiro emprestado para pagar as despesas extras e se endividou”, explicou o governador, ao destacar que quando se tomam empréstimos para pagar dívidas, isso demonstra que o problema está instalado.

Para que o Brasil saia da grave crise, o governador destacou que são necessários o controle dos gastos e mecanismos de preservação e elevação da receita. Segundo ele, a preocupação do governo é sair da crise sem ocasionar grandes prejuízos para a população, o que não significa a ausência de custos.

“A sociedade vai pagar um custo para sairmos dessa crise, mas o que tenho defendido é que esse custo não pode ser igual para todo mundo e não termine caindo sobre as camadas de renda mais baixa. Aquele que tem mais, tem que pagar o maior custo, e a população que tem menos recurso, tem que pagar menos”, ressaltou Simão Jatene.

“A crise é profunda, séria e grave. Não por acaso vários Estados estão com salários atrasados e o desemprego atinge um milhão de trabalhadores. Precisamos sair disso, então temos que ter medidas amargas, preservando sempre os que ganham menos”, reiterou Jatene, ao lembrar que a persistência da crise leva ao aumento do desemprego. “Minha preocupação é como pagar os salários dos servidores, porque sei da importância disso para a economia, para a dinâmica da própria sociedade”, afirmou o governador, que acredita que 2017 ainda vai ser um ano difícil.

Controle – Na ocasião foi mostrada uma matéria de veiculação nacional que aponta o Pará como o Estado melhor posicionado na federação com relação ao equilíbrios das contas públicas, porém o governador fez questão de destacar que o Pará também está em crise. “Sempre digo que o Pará está ‘menos pior’ que os outros, mas ele também está na crise e vivendo momentos difíceis. A diferença é que como percebemos isso um pouco antes, fizemos alguns mecanismos de ajuste, de corte, antes da maioria dos Estados, que nos permitiram ter algum recurso, que é o que tem garantido o pagamento de salários em dia”.

O governador acredita que o cenário difícil vai piorar durante o primeiro semestre, mas que depois será possível ter esperanças, com a ajuda da população.“Queria sugerir a cada um que evite se endividar, de criar a ideia de que pode comprar aquilo que está fora do salário, porque tomar empréstimo para esse tipo de coisa não é uma boa alternativa no momento. Estamos em tempos de mobilizar a sociedade e tomar consciência, porque determinados grupos que dizem defender os interesses da maioria estão defendendo os seus próprios interesses, e a sociedade precisa estar atenta a isso”, alertou.

Custos – A reforma previdenciária é apontada por Jatene como fundamental para o ajuste das contas governamentais. No Pará, por exemplo, o governo estadual precisa aportar R$ 2 bilhões por ano, além da alíquota recolhida do Estado e do servidor, para complementar o pagamento das aposentadorias de 45 mil servidores.

“Sem o controle de gastos e sem o ajuste na previdência, o Brasil e o Pará não têm futuro”, observou Simão Jatene, que defende maior tributação de grandes fortunas.

Sobre o aumento do desemprego no país, Jatene admitiu que os governos estaduais não podem fazer muito para modificar esse cenário por ser um reflexo da crise nacional. “Nosso esforço é pagar salários. Tem gente que pode questionar o que o salário dos servidores tem a ver com isso. Temos que lembrar que os salários se transformam em consumo, que gera negócios, comércio e produção, que gera emprego”, esclareceu o governador. O governo também tem criado incentivos para implantação de novas indústrias, com intuito de gerar mais emprego e renda para a população.

Ao término do encontro o governador agradeceu aos jornalistas, radialistas e apresentadores pela participação e reiterou a importância de levar a informação para a sociedade. “A sociedade precisa, cada vez mais, ter a informação correta, porque sem isso ela não terá condições de defender e de lutar por aquilo que é correto”, concluiu o governador.